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Edital

Mhonica

Mhonica. Nome de Santa. Corpo de mulher. E atitudes de ser humano. Ela tem uma mente genista e um jeito por vezes tempestuoso. E também pudera, Mhonica é mulher dos adjetivos. Banzo e descompensado foram alguns que aprendi com ela. E ela usa os adjetivos,assim, adjetivando tudo o que usa. E adjetiva as coisas de forma tão linda, tão própria. Tão adjetiva. E capaz. Faz links, pontes e se vê nelas.

Mas Mhonica também pode ser mulher de substantivos. Do amor. Ai, o amor. E parece que ser amado por Mhonica ganha uma conotação ainda maior. Sua paixão, dedicação, desprendimento são únicos.

Mhonica tem o dom de falar. E mais ainda de conversar. E assim ela fala. Fala sem medo. Sem pompas. Em pouca conversa sabe-se bastante de Mhonica. Mas não se descobre. Pra isso é preciso penetrá-la. E com seu aval, é claro. Assim foi comigo.

Em alguns papos diários, soube que era divorciada, onde trabalhara, seu prato favorito e sua tara pelo Rio de Janeiro e Porto de Galinhas. Mas desvendá-la foi mais do que uma tarefa diária. Foi um processo que até hoje se encontra em construção. Como a própria Mhonica, que nunca cansa de se descobrir.

Mhonica sofre desse defeito de amar demais. De imegir profundamente no amor; de sucumbir à paixão. De pular no abismo incerto do amanhã. De dar o próximo passo rumo ao desconhecido dos sentimentos. E tudo de um jeito bastante Mhonica, pois Mhonica é humana. E mais ainda: é mulher. Altiva, do tipo que fala alto, sim, se impõe e não deixa que ninguém ponha gasolina no seu carro. Claro, tudo isso, sim. Mas ainda, assim, mulher. De também apreciar ser dedicada, fiel, cozinheira de comidinhas fáceis e dormir de conchinha.

Diz-se que ao casar, a mulher sempre espera que o homem mude. E ele nunca muda. Já o homem, ironicamente, torce para que sua amada continue a mesma, delicada e bela, como ele a encontrou. Mas ela muda. E Mhonica mudou. Mudou e continuou sendo Mhonica. Ela invadiu o mundo e por ele foi invadida também. Mudou tanto que se mudou. A 2089 km da sua antiga casa. Onde, como passarinho, fez um lar. Mas consciente de sua incompletude por falta dos amigos e de alguns amores. Mas, se (caso) mudar também é ser Mhonica, eu espero que bons ventos a tragam. E que dessas mudanças ela tire proveito.

Uma vez escrevi a Mhonica que vê-la partir não era triste, apenas difícil. Difícil como e por causa da saudade. E acredito ser saudade algo invariavelmente triste. Então me contradisse. Por outro lado, saudade, na maioria das vezes, serve para ratificar um amor existente no presente ou no passado.

Seja lá como for, é fato que sinto saudade. Mas isso não faz mal, nem por dentro, nem pra consciência, já que segundo Gabito Nunes: “saudade é pra quem sente amor; sentir falta é pra quem sente vazio“. E Mhonica apenas preenche.

Sobre O Zepelim

.♠ No ano de 1953 conheci o Madson, ou Moica (como era chamado na época) . Ainda morávamos na Africa do Sul, onde seu avô, Durvalindo da Silva Campos, tinha uma fábrica de papel higiênico. Mudamos para Budapeste, onde passamos toda a nossa infância empinando pipas e brincando com o meu cachorro, o Bob. Porém, perdemos o contato desde que me mudei para o Hawaii. Fiquei sabendo do paradeiro do Madson atráves da notícia de capa do Le Monde, onde tive a oportunidade de saber que ele havia construido uma casa em Istambul e montava maquetes de argila da cidade de Deus. Nostalgicos beijos Moica, saudades dos velhos tempos .♠ (Por Ana Carolina Dias)

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