É do senso comum que tudo na vida é uma questão de timing. E podemos facilmente comprovar esse tipo de assertiva por frases que dominam o imaginário popular, como: “tudo tem seu tempo”, “ainda não era a hora certa”, “tinha de ser em outro momento”.
De fato, ritmo e sincronia são fatores extremamente importantes para a realização dos nossos objetivos: trabalho, conquistas e principalmente o amor. O amor, dentre todas talvez seja a coisa que mais precisa de timing.
Não bastante ter de esperar a vontade majestosa dele, não mais que de repente, resolver aparecer, também é necessário aliá-lo à sorte mega-sênica de conhecer alguém, a seu modo interessante num dado momento oportuno.
Quando essa equação acontece é simplesmente uma explosão. É cheiro de suor, suspiros abafados, falta de fôlego e aqueles sorrisos-ejaculação-precoce, como diria o cronista Gabito Nunes, ao ver quem se ama.
Do contrário, apenas solidão lúdica. Conhecer diariamente dezenas de pessoas e apesar disso continuar sem perspectivas.
Mas poderá a falta de timing ser também omissão das pessoas?
Se engana quem idealiza que a hora certa depende do alinhamento cíclico das 88 constelações, da sincronia nos fenômenos astrológicos interplanetários ou até mesmo num aval zodíaco do Personnare.
Afinidade é a maior tecnologia a serviço do amor, conectando as informações que realmente importam. E ela é a melhor opção de timing possível. Talvez única que realmente importe.
É uma ideologia ou desculpa muito medíocre pensar que dar certo com alguém depende de motivos externos, como um trabalho menos estressante, um ex menos recente: “querida, é que eu tô muito ocupado… na verdade, eu acabei de sair de um relacionamento… é porque estamos em ritmos diferentes”.
Sempre achei que o momento para amar é o agora. E que pessoas com esse tipo de comportamento perpendicular, com essas frases acrasíacas de senso comum só fazem é perder tempo. E pior, na maioria das vezes o nosso tempo. Infelizmente, essas pessoas não leram Clarice: “o maior inimigo da felicidade é o medo. Ou não conseguem contemplar o amanhã, o novo. Nem ministrar com maestria as diferentes órbitas da vida: amor e trabalho não precisam ser atividades excludentes. Bem como desapaixonar-se ao passo de se permitir conhecer outro não deveria ser algo necessariamente anacrônico.
Em todo caso, para meu maior reconforto ainda existe gente que conflui com esse pensamento. E por isso não me sinto só. E é bom encontrar nas palavras do escritor Gabito Nunes vazão para momentos únicos que não devemos deixar escapulir. “Não perca o agora, o hoje e tudo que está ao seu redor. Principalmente as pessoas. Pois, se não notou, é por elas que você busca grandes coisas. De todos os beijos que você dá, nunca saberá qual deles será o de despedida”. Carpe Diem.
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