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Edital

Brennus

Breno é uma variante do gaulês, brennus i.e dirigente, chefe, ou simplesmente em outras palavras: bravo. Mas essa é apenas uma das características que cercam esse rapaz, alma de moleque e jeito de menino levado, olindense, 25 anos, que ama e pensa que o mundo ainda é um lugar bom para se viver. A essas, como colega distante, eu também adicionaria bonito, cativante, inteligente, porém despretensioso e, por que não, um pouco cafajeste. Ele, certamente, discordaria desse último item. Mas seu sorriso alto, em tom de gargalhada, e seu olhar flamejante, como quem tem um plano pra tudo, provam o contrário.

O objetivo, claro, não está em discutir se Breno destrói alguns corações a bel-prazer ou se vários deles se despedaçaram com o tempo e as mudanças naturais da vida. Mas, sim, em desmistificar o adjetivo que, inevitavelmente, soa pejorativo. Mas usá-lo não é de todo ruim, nem proposital. Está indiretamente ligado ao fato dele poder confundir outras pessoas.

Quando o conheci achei isso. Ele tinha aquela cara de conquistador barato, que após algumas cervejas revela a que veio. E a noite foi embora e não soube a que realmente ele tinha vindo. Se vinha pra ficar ou apenas passear na minha rua. E essa foi minha primeira leitura ótica dele.

Mas Breno, claro, é algo mais, além de ser, ao mesmo tempo, apenas Breno. Sem muito que tirar nem pôr. E é difícil ser assim. Sê-lo e apenas sê-lo: sem ressalvas. E acho isso em essência um pouco, sim, cafajeste.

Mas também existem muitas de suas faces que nunca me serão reveladas. O que se pode afirmar, sem muito esforço, é que Breno tem o dom de ser indiscreto. De perguntar mesmo, como criança curiosa. E isso o torna uma espécie de relicário em espontaneidade.

Talvez ele não conheça, mas sua música deveria ser Accidentally In Love, do Counting Crows. Pois Breno, como todo D. Juan, também sofre de se apaixonar fácil. Inteligência e afinidade, contudo, são características desejáveis, senão sine qua non para que isso aconteça.

Breno combina com MPB, música ao vivo em barzinho à beira-mar e, claro, carnaval em Olinda. Nada de tunz-tunz, Breno tem jeito serelepe, mas com um forte s de sereno. Breno também combina com show de Jorge Vercillo e comer doce escondido. Em poucas palavras, a gente percebe que a simplicidade de caminhar na praia, pés descalços, mãos dadas, domingo, sol baixo e fim de tardinha é o que chamamos, para ele, de momento perfeito.

Seja como for Breno não me deve satisfações. E continuará a ser Breno, assim o fora antes e depois de me conhecer. Nesse intervalo resta apenas esperar algumas de suas características se confirmem, algumas apareçam, e outras até se desmanchem, diante dos preconceitos que, inevitavelmente, nos tomam ao conhecer alguém. Preconceitos que, assim como a palavra cafajeste são apenas interpretações. E nada mais.

Sobre O Zepelim

.♠ No ano de 1953 conheci o Madson, ou Moica (como era chamado na época) . Ainda morávamos na Africa do Sul, onde seu avô, Durvalindo da Silva Campos, tinha uma fábrica de papel higiênico. Mudamos para Budapeste, onde passamos toda a nossa infância empinando pipas e brincando com o meu cachorro, o Bob. Porém, perdemos o contato desde que me mudei para o Hawaii. Fiquei sabendo do paradeiro do Madson atráves da notícia de capa do Le Monde, onde tive a oportunidade de saber que ele havia construido uma casa em Istambul e montava maquetes de argila da cidade de Deus. Nostalgicos beijos Moica, saudades dos velhos tempos .♠ (Por Ana Carolina Dias)

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