Sábado é definitivamente o dia dos casais apaixonados. Sejam aqueles de longa data, recentes ou até mesmo os que encontramos na balada, e que, por uma dose ou outra a mais de licor, fazem juras de amor e promessas vãs de ligações no dia seguinte. Mas não me entenda mal, meu caro leitor. Tudo isso é não menos do que completamente legítimo. Sábado é assim mesmo. Dá pra sentir essa energia. Sábado tem aquele cheiro de paixão: eterna ou efêmera. Sábado tem gostinho de encontro com o namorado, filminho no sofá, sessão após as 11h, viagem ao campo ou barraca de camping na praia. Dá pra sentir a fluidez com a qual a cidade se move. Todo mundo, onde quer que a gente vá, namorando ou flertando por aí.
Se sexta é o dia dos solteiros, sábado é o dia de apaixonar-se. E o é por uma razão muito lógica de ser. No sábado, à vontade da própria rotina, todo mundo põe sua proposta mais à vitrine. O maior desejo do sábado é a boca. E, por sua vez, o maior desejo da boca é o outro. E o que mais ele proporcionar. Além de, é claro, algumas garrafas de cerveja.
Mas nem todo mundo consegue perceber isso no sábado. Nem todos conseguem senti-lo, conseguem sabê-lo, vivê-lo de verdade. É preciso estar disposto para tal. É preciso se lançar a esse mar de gente arrumada e cheirosa que sai de casa todo sábado à procura de alguma coisa: carícias de amor, beijos eufóricos ou pegação na balada. O que seja. Sábado par, sábado ímpar. Sábado bom é sábado acompanhado.
E eu há muito não me apaixono num sábado, ou sequer por um sábado. Olha que são em média 53 raras possibilidades num ano. E a cada uma que passa me dói um mundo não aproveitá-lo da melhor forma. Não preenchê-lo exatamente como foi projetado para ser: amando.
Mas assim como eu, muitos lá fora também passam seus sábados assim, despretensiosos, rotineiros: sábados com cara de segunda. Outros o passam solteiros, com amigos e muita farra, sábados com jeitão de sexta-feira.
Eu simplesmente acho que sábado foi feito, mesmo, para viver a dois. E todo esse desperdício é uma pena. Pois se todos se encontrassem num sábado, poucos teriam que sofrer a chatice do domingo. Seria mais leve, mais bonito, mais entusiasmante… seria, assim, mais HBO e mesmo Faustão.
Mas não está, no entanto, na lua cheia e minguante ou no número de sábados disponíveis no calendário as chances de se apaixonar e conseguir um novo amor. Essas artes exotéricas e principalmente a matemática pouco sabem do amor. Pregam brincadeiras com a gente. Está muito mais no outro a possibilidade de encontrar a si mesmo. Está na sorte mega-sênica de conhecer alguém interessante e que honre os princípios sabadológicos e, assim, te proporcione também um sábado de amor. A quem já tem a pessoa em questão: grude nela, principalmente neste dia da semana. A quem não, o que resta é não desistir, sabendo que sábado após sábado, decepção após decepção, devemos mesmo é tentar, ainda contra as possibilidades, ainda contra o destino, porque depois, meu querido amigo, o que sobra é apenas um ingrato domingo e várias “feiras” pela frente.
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Crônica escrita sábado 30/07/2011
A melhor companhia pro sábado na maioria das vezes tem que ser você, depois os outros. Sábado é o dia no qual sobe a máscara no começo da noite para cair ao amanhecer. Casais felizes, corpos se pegando, excitação e assim por diante, geralmente são meras efemeridades. Adoro as feiras, pq dentro delas que é gostoso por tudo isto e dizer pro sábado que se eu quiser leio um livro, vejo um filme e bato punheta, sozinho ou acompanhado, a diferença é mínima qdo o caminho já se faz de felicidade.
Publicado por Adriano Q. | agosto 2, 2011, 9:04 pmNão entendi nada que o moço – Adriano Q. – escreveu!
Quanto à crônica, meu bem, como eu já disse uma vez, você é, sem dúvida, um dos escritores que mais gosto. Você, como poucos, consegue dizer o que tenho vontade e o que sinto. Parece que você sabe o atalho pra minha alma. E eu me pergunto por que esse atalho ainda não uniu nossa bifurcação. Os poucos anos que tenho além dos teus já me mostraram que a felicidade é sempre mais feia do que nos ensinaram e que o amor, ah o amor, ele não é tão doce nem tão bom quanto fomos forçados a acreditar. Mesmo assim felicidade e amor são metas indispensáveis, é necessário almejá-las, tentá-las sempre. Meu querido, parafraseando o Caio F., desejo que hajam violinos tocando, peças de roupa branca cintilando no chão, luz em diagonal. Desejo que a grua suba lenta enquanto os créditos sobem para te dar o mais doce dos happy ends.
Publicado por Adriano Andrade | agosto 4, 2011, 4:33 pm