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Cinema e Artes, Edital

500 Dias Com Ela

Tom e Summer

“Essa não é uma história de amor” é o que adverte o narrador do filme já nos cinco minutos iniciais. Então tá, sabendo disso estamos prontos, então, para mergulhar no romance entre Tom Hansen (Joseph Gordon-Levitt) e Summer Finn (Zooey Deschanel) sem a falsa sensação de final feliz. Será?

Dono de um enredo fabuloso, além de uma bela fotografia, atuação e diálogos viscerais e embargados ao estilo Closer, é surpreendente como o filme que nos previne, já a priori não se tratar de amor, consegue nos apaixonar.

E isso mexe com o nosso subconsciente. A informação deliberada, principalmente no título sobre a efemeridade das coisas, avisando a todo momento: não, isso trata-se de uma comédia não-romântica. De um não amor. E consequentemente de um não happy ending.

Mas a cada momento vibramos com o casal. Desejamos no íntimo a felicidade merecida dos personagens, sem mágoas e as transições normais da vida. Só que isso era algo que Summer não podia dar. Summer não acreditava no amor. Ela era existencial demais para isso. Ela tinha esse defeito comum que todo mundo tem: ser humano demais para ser feliz sem complicações. E por essas mesmas questões, Summer abandona Tom. Mesmo sem saber se poderá um dia amar novamente.

Tom, um arquiteto aprisionado a um emprego medíocre como escritor de cartões de datas especiais, dedica então o resto dos seus dias a sofrer e amargurar a perda da sua amada. Até que um dia, resigna-se com sua dor; e com a sabedoria e perspicácia, que só aqueles que já sofreram de forma autodestrutiva por um grande amor são capazes de ter, Tom é tomado por um sentimento de mudança. Ele pede demissão, muda seus hábitos e decide procurar um emprego na sua área. Nessa jornada, Tom descobre que Summer, a quem dizia não acreditar no amor, está casada. A culpa, diz ela, das coincidências da vida. “Um belo dia estava sentada no coffee shop, um cara chega e pergunta algo. Hoje, boom, ele é meu marido. E se eu tivesse ido ao cinema?”

Sem mais, Tom percebe o quanto esteve errado todo esse tempo. Ele compreende que Summer, em nada, tinha culpa da sua dor. Eles apenas se desencontraram. E ele sabe, que na verdade, é assim que são as coisas. Não importa o quanto planejamos, todo o nosso destino segue o curso da coincidência. Um dia pegamos o ônibus ou estamos numa livraria; e, de repente, na semana seguinte vamos ao cinema com alguém simplesmente incrível que conhecemos despretensiosamente.

E essa, na verdade, é a maior mensagem do filme. Que apesar de tudo, o que temos que prestar realmente atenção é nas coincidências do destino. E assim, quem sabe, depois de um longo dia de choro e solidão, amanhã não estaremos num delicioso café com alguém apenas especial, e finalmente preparados para deixar o verão seguir seu curso e o outono, enfim, penetrar em nossas vidas.

A felicidade pode até ser efêmera, mas a dor também não dura pra sempre.

5 estrelas, claro.

Sobre O Zepelim

.♠ No ano de 1953 conheci o Madson, ou Moica (como era chamado na época) . Ainda morávamos na Africa do Sul, onde seu avô, Durvalindo da Silva Campos, tinha uma fábrica de papel higiênico. Mudamos para Budapeste, onde passamos toda a nossa infância empinando pipas e brincando com o meu cachorro, o Bob. Porém, perdemos o contato desde que me mudei para o Hawaii. Fiquei sabendo do paradeiro do Madson atráves da notícia de capa do Le Monde, onde tive a oportunidade de saber que ele havia construido uma casa em Istambul e montava maquetes de argila da cidade de Deus. Nostalgicos beijos Moica, saudades dos velhos tempos .♠ (Por Ana Carolina Dias)

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