É clichê, no entanto, imprescindível observar que quanto mais preparado a gente pareça estar para qualquer prova, sempre vão existir constantes obstáculos e surpresas durante toda a sua resolução. Há sempre algo de novo, de misterioso, algo que, talvez, esteja apenas esperando ansiosamente para ser descoberto.
Como se não bastasse o nervosismo praxe antes da prova e aquela constante sensação de ‘eu devia ter me preparado melhor’, devido a incompatibilidades de horários e uma partida esportiva no domingo, tivemos que adiantar o dia do meu vestibular desse ano. Sábado, às 16h30. O local ficou por minha conta. Como de costume, resolvi não alterar muito as coisas. Combinamos no mesmo lugar onde venho fazendo as provas todos esses anos: uma sorveteria modesta perto da casa dele. Devido ao meu senso cronológico nem um pouco britânico, cheguei pontualmente às 16h45, com 15 minutos de atraso. Ainda bem que sou melhor com os horários de compromissos mais sérios.
No começo da prova, tudo muito elementar. Perguntas de ‘como vai você’, ‘o que tens feito atualmente’ e ‘como estão as coisas’. Durante o questionário, conheci alguns dos meus possíveis concorrentes: um garoto comprometido e um desconhecido do banheiro do Centro de Convernções. Parecia que eu estava em vantagem e tinha tudo para aniquilá-los. Mas na verdade isso não me incomodou. Senti-me bastante confortável e relaxado com o nível da prova. Dentre os assuntos abordados houve os temas de praxe quando se trata do vestibular do amor: ex-namorados, paixões atuais e as últimas transas. As respostas também eram de praxe: algumas ironias aqui, uma pitada de sarcasmo ali, mas na maior parte do tempo, humor e descontração. É bem verdade que eu dei uma certa exagerada na redação. Falei demais sobre mim e deixe, talvez, de contextualizar pontos importantes da nossa relação. Acho que não conseguir sustentar meus argumentos de forma racional algumas vezes. Mas, no final foi tudo muito bom. Sem muitas surpresas no decorrer da situação. Talvez até o motivo principal de eu ter me apaixonado.
No entanto, o que realmente me impressionou foi o fato de que mesmo ao longo de todos esses anos, o teor do teste continuou praticamente idêntico, quase intocável: ileso às vicissitudes do tempo. Nem mais fácil, nem mais difícil. E isso foi o que arejou todas as minhas idéias. Ponderei que em todo esse tempo eu venho tentanto fazer um curso que já se comprovou, de fato, um fracasso: instabilidade emocional, incompatibilidade de objetivos e insustentabilidade estrutural, além de muito pouco custo-benefício. Na verdade custo-benefício quase nenhum, visto que fui eu quem pagou o sorvete no final das contas.
Eu aprendi, sem absoluta hipocrisia, que em tudo, apesar do amor, da paixão ou do tesão pelo que a gente faz ou se pré-dispõe a fazer é indispensável haver um retorno. Um policial não arrisca a vida em nome de nenhuma ‘justiça’ com a bosta de salário que recebe, até porque fazê-lo sem a condição certa de trabalho também não seria justo. Até os médicos, considerados os anjos da vida de uma sociedade, sejam nos plantões ou nas clínicas, fazem greves públicas por melhores condições de trabalho e aumentos salariais. Ninguém consegue seguir em frente em algo que gosta sem motivação ou condições, sequer mínimas e adequadas para tal.
O fato é que o resultado desse vestibular não me interessa mais. Também já tenho em mente que não pretendo me inscrever para a prova no ano que vem. Resolvi ouvir de vez por todas os conselhos da minha mãe que sempre me diz que atualmente ainda sou aluno do 7º período de jornalismo, na Universidade Católica de Pernambuco, e que antes de tentar qualquer outro vestibular, seja qual bosta de curso for, tenho que primeiro terminar aquele em que eu já estou e tentar ser feliz com ele até então.
1 Comentário
Junho 16, 2009 às 2:26 am
adriano…. sabe o que vc me disse sobre ele, entaun…..