Novembro 11, 2009

Dia dos Namorados

Confesso que sempre tive uma certa mágoa do dia dos namorados. Talvez porque eu nunca tenha conseguido celebrá-lo com a devida propriedade. Ou não estava com ninguém na época, o que aconteceu na maior parte das vezes; ou estava com alguém emocionalmente irrelevante. E, em qualquer uma das situações, nunca estava namorando. Levei um certo tempo para perceber do que realmente se trata essa data. Semprei achei o dia algo muito frívolo, fútil, inútil até. Pra que celebrar o dia dos namorados? Por acaso existe o dia dos solteiros? Dos enrolados? Dos ficantes? Dos divorciados? Por que esses estatus não merecem também uma data célebre, com a mesma relevância, para comemorar a ocasião? Talvez porque seja uma tarefa muito fácil não estar envolvido, de fato, num compromisso estatizado, como no caso dos enrolados e ficantes, e infinitamente mais fácil estar só, como no caso dos solteiros e divorciados.

O namoro é provavelmente a relação mais difícil de se conviver. Entenda-se a palavra namoro, aqui, simbolizando a relação entre duas pessoas, em qualquer tipo de instância, tal como um noivado ou casamento, por exemplo. Família não se escolhe. A gente nasce com, atura e ponto final. Existirá sempre um laço consanguíneo unindo seus integrantes. Já os amigos, ao que dizem, são a família que nós escolhemos, e o que os une é essa sensação mútua de pertencença ao mesmo grupo. Um amor que se desenvolve e se concretiza ao decorrer dos anos. Parceiros de trabalho e colegas de profissão, quando muito, também fazem parte do grupo de amigos. Quando não, serão pessoas que sempre nos relacionaremos com fins exclusivamente profissionais. E gostando ou não, também teremos que aturar. Mas quando se trata de namorado, qual categoria devemos aplicar? Parece algo tão excludente de todos os outros círculos de relacionamentos. Envolve amor, mas também envolve sexo. Envolve amizade, mas não fraternal demais porque senão perde o tesão. Envolve parceria de vida e, às vezes, até profissional, mas também envolve paixão.

Enfim, o namoro parece ser um misto de todos os problemas das outras relações juntas, com o agravante de não ser nenhuma delas. Até o quantitativo de pessoas da relação é extremamente menor. Resume-me ao outro e ponto. E por mais amigos, parentes ou colegas de trabalho que se tenha, eles nunca compreenderão a totalidade de tal relacionamento. E isso se dá pelo simples motivo de que, por mais por dentro que eles estejam da nossa relação, eles nunca estarão, de fato, dentro dela.

Sempre achei que era um solteirão muito bem resolvido. “Não preciso de namorado para ser feliz, ponto”. Sempre fui adepto do conceito de ‘’solteiro sim, sozinho jamais’’.  Atualmente estou solteiro e sozinho. Não me sinto mal com isso, mas também não me tornei cínico o suficiente para desacreditar que no próximo Dia dos Namorados pode ser eu, também, fazendo um passeio bem meloso e comendo chocolate na fila para o cinema.

Apesar de super clichê, ontem eu fui pedido em namoro. Não da maneira mais apropriada, nem pela pessoa que eu gostaria que o fizesse. Não aceitei. Na verdade, ainda nem respondi. Achei muito indelicado dar um ‘’não’’ assim na cara de alguém nas vésperas do dias dos namorados. Ponderei que uma dúvida, neste caso, seria melhor do que a resposta. Na verdade, eu fico lisonjeado com  o pedido, mas desejo-lhe um melhor namorado do que eu posso ser.

Em relação a todos que disseram “sim” e hoje comemoram a magia de serem felizes ao lado de seus respectivos amores, um esplendoroso Dia dos Namorados. Afinal, não é porque existem milhares de solteirões que nem eu por aí afora que os casais não têm o direito de comemorar a data passando nas nossas caras esse dia, como para ratificar que ainda estamos só, não é verdade?

Enquanto a mim, ainda não achei o carinha do cavalo branco. Talvez ele nunca venha, mas em todo caso, deixarei as minhas janelas bem abertas para escutar caso alguém bata à porta.

[Esta Crônica foi feita no dia dos namorados deste ano]

Outubro 15, 2009

Matemática do desamor

Se multiplicarmos a quantidade de corações existentes e pulsantes no mundo pelas vezes em que já foram magoados, ao menos alguma vez na vida, esse número seria: infinito. O resultado deste cálculo é bastante óbvio e 100% verificável, pois: precisamente 10 em cada 10 pessoas sofrem ou já sofreram do mal do desamor.

De acordo com informações da Organização Mundial de Corações Partidos, os índices ainda não são nada animadores. Eles apontam que entre todos aqueles que passam em nossas vidas e os que serão nossa exata e mais completa metade, resume-se precisamente ao número 1. Isso, ainda segundo a OMCP, para aqueles que têm a sorte quase mega-sênica de encontrá-lo.

O fato é que por incrível que pareça, a parte mais difícil não reside ainda em encontrar parceiro ideal, e sim na destreza de conseguir balancear de forma equânime e permanente a equação entre nossa pré-disposição ao amor e as dificuldades diárias do destino.

Entretanto, de forma um pouco mais otimista, se subtrairmos todos amores pelos quais já sofremos um dia, teremos como coeficiente milhões em experiência, além de dezenas de histórias, várias datas marcantes e, claro, algumas dúzias de momentos bons.

Então, como em toda boa conta matemática, o segredo está sempre em tentar equacionar de modo sensato e eficaz todos os números, reconhecer a importância de cada tipo de dado, nunca desprezar os possíveis zeros encontrados e mais importante: permitir-se os riscos de utilizar novas fórmulas. É necessário também assumir eventuais falhas e começar tudo de novo.

E assim, igualmente a qualquer tipo de cálculo aritmético, o resultado encontrado será sempre passível de erros ou pode não ser exatamente aquele ao qual esperávamos. Mas embora a divisão entre todos os desamores e as reais chances de felicidade seja sempre uma icógnita, o mais importante é perseverar até o fim, e nunca, mas nunca mesmo, desistir de encontrar a resolução procurada.

Outubro 13, 2009

Boa Noite

No último sábado, antes de sair à feira, ainda nas primeiras horas da manhã, eu e minha cara de ressaca encontramos um dos meus exs abastecendo o carro no posto de gasolina do bairro. Apesar de ex, nós não tivemos aquela paixão avassaladora ou um romance tórrido e contundente, nem muito menos juras de amor interminável. Foi apenas sexo. E, felizmente, dos melhores. Daqueles que não deixam, em nada, a desejar às historinhas bonitinhas de romance eterno.

Nos conhecíamos desde infância. Devido ao destino, e também a uma pequena ajuda das minhas segundas intenções, não nos tornamos amigos. Mantivemos sempre, e por sorte, aquela distância saudável entre um “oi” casual e uma possível transa. Nada de melhores amigos. Nada de segredinhos. Nada de “brodagem” e grandes aventuras. Apenas nossos simplórios e eficientes “boa-noite”.

Confesso que já saímos juntos, compartilhamos algumas mesas de bar e até rachamos um táxi de volta pra casa um dia. Mas nunca nos tornamos amigos de fato. Passávamos meses sem nos vermos. Às vezes até eu me perguntava por que sempre nos falamos por intermédio de alguém ou só nos víamos por causa dos amigos em comum. Mas quando nos encontrávamos, percebia que nossa relação nunca passaria mesmo de um boa-noite, educado e formal, e do meu puta tesão.

Até que num desses dias bem inúteis durante a semana, saí com alguns colegas para um bar no meu bairro. Após algumas horas, várias conversas fiadas e muitas cervejas, ele chegou. Na época, fazia uma linha skatista bad-boy, com roupas rasgadas e cara de sujinho. Porém, seus lábios tinham os contornos mais delicados e rosados da mesa. Seu físico meio magricela, meio musculoso, variava como o côncavo e o convexo da Casa do Planalto. E seus cabelos esvoaçavam desobedientes na cara, reforçando ainda mais aquele olhar de malzinho. Enfim, o look comum de um perfeito ébano juvenil em pleno desenvolvimento.

Quando ele puxou uma cadeira à minha frente, comecei a tremer. Eu, que antes definia a pauta dos assuntos da mesa, não conseguia agora sequer me articular para o nosso de praxe “boa noite”. Relaxei algum tempo depois, mais pela anestesia da sua presença cativa e enigmática do que pelo conforto da situação, verdadeiramente. Após mais algumas sessões de conversa fiada e cervejas, ficamos mais à vontade. Leves. Ao contrário do que eu achava, acabei descobrindo nele um rapaz simples. Bacana. Tão comum quanto o nosso “boa-noite”. E que, embora escutasse Led Zeppelim, tinha crescido mesmo ouvindo Legião Urbana.

Quando achei que tudo se encaminhava bem para transpassar o limite das nossas conversas fáticas: a primeira discussão. Ele amava o Nirvana, e eu era louco pelo Pearl Jam. “Acho o Pearl Jam uma bosta. Só gosto do unpplugged”, lembro ele dizendo. Absurdamente puto, deitei o copo na mesa e disse que preferia conversar com alguém que tivesse um background musical mais amplo, e não idolatrasse apenas o Nirvana como a melhor banda grunge de todos os tempos por falta de conhecimento de causa e excesso de alienação MTV. “Seu comentário foi sórdido e muito mal embasado”, lhe disse dando vazão ao que pensava. A rixa era clara: eu jamais poderia alimentar pensamentos sódidos por alguém que tinha sido sórdido com os meus pensamentos.

Enfim. Brigamos justamente no momento em que estávamos prestes a nos conhecer. A merda estava instaurada e ficamos de biquinho o resto da noite. Eu, no entanto, continuava a olhá-lo e admirá-lo como sempre: algo superiormente mais bonito, antipático e heterossexual, logo, inalcansável. Isso adicionado a vários copos de cerveja só potencializava minha atração por ele. Finalmente percebi que eu é quem estava sendo sórdido. Medíocre até. Ponderei que deveria respeitar o seu gosto por Nirvana, e que se ele achava o Pearl Jam apenas ruim, eu, a contraponto, pensava na banda favorita dele como um grande repertório de músicas incoerentes, sem sentido e de vocal débil e desafinado, semelhante a um porco esguinchando no lixo, emitidos pelos sons guturais de Kurt Cobain só para chamar a atenção.

Antes de ir embora, fizemos as pazes. Conseguimos encontrar um denominador musical comum: o Smashing Pumkins. Ambos éramos fascinados pela genialidade sutil de Billy Corgan. Com mais tecido para a manga, fomos à minha casa com o pretexto de lhe emprestar os CDs. O que, apesar de realmente ter sido a intenção inicial, nunca aconteceu de fato. Chegamos ao meu quarto e ouvimos muito Alice In Chains, Marilyn Manson e até algumas músicas do Pearl Jam, e ele admitiu que começou a gostar mais. Ainda bebemos um restinho de vinho para preencher o vácuo, mas o silêncio depois de algumas horas ficou inevitável. Não tínhamos mais assunto. Embora absolutamente envolvido, ponderei que aquela seria finalmente a hora mais sensata e necessária para dizermos “boa- noite”. Ele fez uma leitura rápida nos meus olhos traidores, que denunciaram toda a efervecência de tesão e nervosismo que estava sentindo naquele momento, e depois sorriu. Nos beijamos. E sem mais divergência musical nenhuma, transamos ao som de Ana’s Song, do Silverchair. E Miss You Love. E Black Tangled Heart. E Point of View. E todo o CD. E vários CDs. Minhas pernas tremiam em todo o momento. Para mim era inconcebível nossos corpos juntos como um amálgama de suor e saliva. Quando a explosão acabou, ele se foi. Ainda de madrugada, a pretexto de não chegar tão tarde em casa. Nos despedimos com o velho “boa-noite” de sempre e fim.

Hoje, ele estava com os cabelos mais curtos, roupas decentes, o mesmo ar de superioridade de sempre e ainda mais bonito. Enquanto eu estava com o meu velho kit “vergonha-de-mi-mesmo”, que levo todos os sábados de manhã, quando vou à feira: cabelos assanhados, uma puta cara de ressaca e sono e minha mãe dirigindo o carro.

Desta vez não chegamos a nos falar. Não quis olhar diretamente para ele. Não nos vemos desde que fui para os EUA, há mais ou menos um ano. E não nos falamos há muito mais do que isso. Percebi que apesar do nosso momento super especial, rock n’ roll e transgressor, que deveria e sempre ficou apenas em nossas mentes, não restava muito mais a dizer mesmo. Que desde antes, e agora mais do que nunca, habitávamos mundos diferentes cuja única intersecção era o discurso fático de “boa noite” nos momentos em que nos cumprimentávamos.

Mas percebi também que ele sempre será uma lembrança boa, já que graças à sorte não nos contaminamos com palavras, e, consequentemente, o rancor, arrependimento ou confusão que elas trazem. Não tivemos sequer tempo para isso. Depois de tudo, finalmente percebi que hoje realmente sinto aquilo que sempre lhe falei, pois ele me fez sentir novamente aquele furor eloquente da conquista, aquele tesão inconsequente dos 17 anos e aquela vontade de transformar nossas bocas, pés, mãos, peitos e braços num corpo só. E não apenas por isso, como muito mais, eu desejo uma ótima noite para você, Leleko.

Setembro 21, 2009

A Parada da Solidão

Sempre achei a Parada Gay um evento muito solitário. Não sei bem o que é, mas existe um quê de solidão nessa reunião. Todos os anos gays, simpatizantes e “descolados” lotam cada milímetro do espaço do evento com o objetivo de não ficarem só. Estar entre os seus. Preencher o vazio solitário de ser uma minoria que sobrevive através de guetos.

O fato é que não é desse tipo de solidão coletiva ao qual pretendo falar. Um gay não é necessariamente um pária social.

Na verdade, acho o evento solitário pelas pessoas mesmo. Todos se pretendem independentes e descolados. Exibem sua solteirice “desencanada” como uma escolha própria e se tornam altamente não-relacionáveis. Qualquer pessoa encontrada ali é descartável e queremos dar vazão ao prazer pelo prazer: sem pecados, sem leis. E não há nada de condenável nessa relação hedonista partilhada por todos durante este dia. Não é demérito algum, nem uma atitude tipicamente gay, a exemplo das micaretas.

Mas quando tudo acaba, o que sobra é apenas um alívio passageiro de vitória conquistada e centenas, mas centenas de latinhas de cerveja. As pessoas continuam voltando para casa sozinhas e o local do evento, seja a avenida Boa Viagem, no Recife, a Paulista, em Sampa, ou a Mission St., em São Francisco, vai, aos poucos, retomando os ares heterossexuais de sempre.

A proposta inicial era a de abarcar todo tipo de público, erradicar a homofobia e lutar por igualdade e liberdade, independentes da orientação sexual. Sejamos sinceros. Ninguém ali vai para reivindicar porra nenhuma. Até porque seria impossível com dezenas de carros de som tocando Gloria Gaynor e Ivete Sangalo. Afinal, quem melhor do que a Britney Spears para combater a homofobia e defender direitor iguais, não é mesmo?

Bom, o fato é que também não há pecado algum nessa mudança implícita da proposta da Parada Gay, desde que essa proposta, assim como os gays, também saia do armário. Que se tire do closet os panos-quentes maquiados com ares reivindicatórios.

“Vamos beijar na boca. Beijar muito. O mais, melhor. E transar com camisinha (isso se você conseguir lembrar depois de tantas cervejas). Vamos ser Livres e Modernos, como a Metrópole” (maior boate gay do Recife que conta com o slogan em maiúsculo), bradam os trios elétricos. E assim, os nomes  de quem se beija ou se transa são esquecidos à mesma proporção que a causa.

 Todos os anos, desde 2005, venho acompanhando a Parada da Diversidade. Nunca fiquei com ninguém que encontrei por lá ou um desconhecido. Isso, em nenhum aspecto, me torna melhor do ninguém. Nem, claro, quer dizer também que sempre estive sozinho.

Mas como gay, acho que a Parada mereça um puxão de orelha.  Talvez seja apenas essa vontade frívola e efêmera do beijo pelo beijo. As pessoas estão muito descartáveis. Existe uma predisposição ao fácil, ao que, em quase sua totalidade, não passará daquilo. Isso não é algo necessariamente ruim. Mas também não é algo bom. Talvez seja algo morno. Morno como a maior parte das relações possíveis de se encontrar por lá. Morno como as próprias discussões acerca de direitos universais.

Apesar do nome Parada da Diversidade, o que reúne todos ali é apenas uma característica em comum: o fato de ser gay. Não há diversidade alguma, o que existe é uma mesmice chata, com uma roupagem pós-moderna, de pessoas que estão ali, em sua maioria, sós; bastante sós. E se você pretende ir à Parada Gay no próximo ano, tenha certeza de estar levando camisinha e um acompanhante. Fica a dica.

Setembro 14, 2009

Detalhes

Não é surpresa para ninguém quão diferentes rumos nossa vida pode tomar. Assim como, também sem surpresa alguma, essa guinada depende quase sempre de apenas um detalhe. E é menos surpreendente ainda nossa aparente impotência em tomar uma decisão sobre essas minuciosidades. Essas coisinhas pequenas, imperceptíveis, e que chegam para definir, quase por completo, nossos momentos; nossos rumos. E escolher entre um ou outro não é uma questão de saber. Ou de experiência. Sequer de racionalidade: é apenas uma questão de sentimento.

Há um mês, um desses detalhes mudou minha vida. Uma questão entre o “sim” e o “não” me tirou o status social namorando, uma relação com alguém que amava e, com isso, grande parte da minha felicidade também. Até hoje me pergunto como teria sido se eu tivesse escolhido a “outra” alternativa. Por diversas vezes ainda me pego arrependido. Mas não consigo trair o que sinto; como sinto. Então, apesar de toda a dor, não me foi tão difícil assim, no final das contas, tomar essa decisão. De fato, não há nada mais simples do que sentir. É quase tão fácil quanto pensar. Quase tão involuntário como respirar.

O detalhe fundamental é seguir o que se sente, ao invés de martelar em uma relação inútil, sofrer por antecipação ou cair no conformismo, por se fingir de surdo ao coração pelo medo da solidão.

Os racionais é que dedicam, inutilmente, horas do dia a tentar achar um denominador comum para cada resposta. Bem, para falar a verdade, sempre achei um “quê” de medíocre nas pessoas que são demasiadamente racionais. Estas, principalmente. Confabulam tanto, desperdiçam tempo de forma analítica e se deixam levar por tantas minúcias, que perdem os verdadeiros detalhes. Com efeito, apesar de paradoxal, os racionais, por assim dizer, são aqueles que, ironicamente, apresentam maiores deficiências na hora de enxergar o óbvio. Aquilo, que de tão evidente na cara deles, os cega. Não tenho pretensões de desvendar nenhum desses mistérios. Nem poderia. Tratam-se apenas de detalhes que eles nunca foram acostumados a perceber.

Talvez seja isso mesmo. Então, talvez seja essa simplicidade do destino em mudar, potencialmente, todo o nosso rumo. Detalhes que revelam apenas o óbvio. O óbvio ao qual nos fechamos cada vez mais para ver, e perceber que está na hora de tomar uma decisão e, assim, simplesmente mudar.